terça-feira, 23 de outubro de 2007


Matéria escrita em 2004, mas como o desemprego é sempre um tema atual no Brasil, decidi postar mesmo assim. Salvo para os dados estatísticos que são do ano de 2004.


Desemprego atinge 2 milhões de Paulistanos

A falta de oportunidade alcança índices altos e bate novamente o recorde da história paulista.

Por Leiliane Lopes


Ivan Fernando da Silva Correia, 21, técnico em programação de computadores, está um ano e dois meses desempregado. Ele conta que as maiores dificuldades que ele encontra para ser recolocado no mercado de trabalho são a falta de experiência comprovada em carteira, curso superior, e até mesmo, ter que residir nas proximidades da empresa. Durante este tempo, Ivan tem passado por varias dificuldades, pois não consegue ajudar os seus pais, aposentados, nas despesas da casa.
Essa é apenas mais uma história de pessoas, que perderam seus empregos e tiveram que encarar as filas enormes de agências de emprego, ou das próprias empresas, tentando uma recolocação ainda que não seja na área que trabalhava. Porém a situação atual do Brasil não permite que os 2 milhões de paulistanos sejam inseridos neste mercado.
A taxa de desemprego tem crescido nos últimos meses, no mês de fevereiro atingia 19,8% , neste mês chegou a atingir 20,6 % da população economicamente ativa. Esse aumento é resultado das 74 mil demissões nesses últimos meses que só não foi maior porque foram abertas 30 mil vagas, aproximadamente, nos ramos domésticos e de construção civil.
A falta de vagas tem feito outro setor de atividade econômica crescer: a informalidade. Muitos desempregados passam a ser autônomos, montam suas microempresas, abrem comercio de doces, lanches, ou até mesmo barracas de produtos pirateados. Tudo para poder garantir a sobrevivência de suas famílias. Por um lado à violência nas grandes cidades também tem como base o aumento do desemprego.
Outra coisa que aumenta nesse período é a procura por serviços públicos, as inscrições para concursos têm superado as estimativas, pois um serviço que garanta segurança, ou seja, que garanta a permanência nele por longos anos é raro. A procura pelo primeiro emprego também é alta. Todos os anos são lançados no mercado milhares de jovens sem nenhuma experiência, tanto em escolas como também em universidades, sendo que experiência comprovada na carteira tem sido muito exigida e pouco executada.
A atual política econômica brasileira tem elevado esses números cada dia mais, pois o governo cobra taxas altíssimas por cada funcionário registrado na empresa. Isso faz com que os empresários passem a não mais registrar a carteira de trabalho, sonegando, assim, esses impostos.Essa atitude prejudica muito o trabalhador que precisando de um emprego aceita, mesmo sem registro, abrindo mão de seus benefícios, gerando outros problemas para a economia nacional.
Diante de números que crescem assustadoramente, nos deparamos com uma total falta de interesse por parte governamental, que só lembra do trabalhador em campanhas políticas, prometendo milhares de vagas de empregos (que esperamos até hoje), porém a luta do trabalhador que busca trabalho é longa e contínua. E enquanto isso, são assistidos como se fossem apenas dados estatísticos e nada é feito a seu favor.

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