sexta-feira, 14 de março de 2008

Azar, o nosso!

Essa semana o governador de Nova York, Eliot Spitzer, apresentou sua renúncia ao cargo, dois dias após a explosão do escândalo que revelou suas ligações com uma rede de prostituição de luxo.
O governador deixará o cargo na próxima segunda-feira, dia 17, e seu vice, David A. Paterson assumirá o estado. O fato mostra a diferença cultural que existe entre Brasil e Estados Unidos, pois lá um escândalo moral consegue derrubar o parlamentar de seu cargo, enquanto aqui isso não existe.
Bill Clinton foi protagonista de um outro caso, onde um escândalo como esse gerou o primeiro processo de impeachment de um presidente americano, isso aconteceu devido a um relacionamento que Clinton teve com uma estagiaria da Casa Branca. Lá as virtudes morais e a família são fatores que determinam a vida pública de alguém.
Os americanos defendem o sentido da família, onde um homem que não zela por sua casa não é capaz de defender a sociedade E no caso do governador de Nova York além do relacionamento fora do casamento também consta o fato de estar envolvido em algo ilegal: a rede prostituição.
Enquanto que no Brasil os políticos podem se envolver em desvio de verba pública, uso indevido de cartões corporativos, ganhos extras com caixa dois, pensões milionárias para filhos de relações extraconjugais e mais uma inúmera lista de não conformidades. Muitas delas até se tornam CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito), os acusados são ouvidos, nomes e contas revelados, mas de fato nada acontece.
Se os brasileiros tivessem essa cultura americana muitas ‘figurinhas’ políticas teriam deixado de circular há anos, infelizmente isso não é levado em conta e em ano eleitoral como este ainda é capaz que essas ‘figuras’ se repitam. Azar, o nosso!

terça-feira, 11 de março de 2008

Uma lição de respeito

Essa semana um jornal que circula na cidade de São Paulo trouxe uma entrevista com os lixeiros da capital e um deles dizia que o ‘paulistano é preguiçoso’ ao justificar o motivo pelo qual ele e seus quase 3 mil colegas sofrem perfurações, cortes e até mordidas de cães.
A declaração dos profissionais me fez lembrar algo que a minha mãe me ensinou há alguns anos quando eu abri uma pote de leite condensado e estava jogando no lixo a lata aberta. Minha mãe disse: filha coloca a tampa pra dentro pra não machucar a mão de quem for mexer no lixo.
Confesso que naquela hora imaginei que era excesso de bondade da parte dela. Pois ninguém se preocupa com quem mexe no lixo, seja coletores da prefeitura ou quem trabalha com reciclagem. Aliás, ambas as profissões sofrem preconceitos.
Lembro também que um argumento que alguns professores na escola usavam para ‘incentivar’ meus colegas a estudar era o famoso “se você não estudar você vai virar lixeiro”, como se a profissão fosse menos digna que qualquer outra atividade.
Diria que para o tamanho da cidade de São Paulo, os lixeiros têm uma importância sem par, pois são eles que livram o município das 15 mil toneladas de detritos que produzimos todos os dias. Mesmo assim, mensalmente cerca de oito trabalhadores da coleta se acidentam no trabalho nas zonas sul e leste. Por ano, isso equivale a 6,4% dos 1,5 mil lixeiros que trabalham na área.
A maioria dos casos de acidente no trabalho desses profissionais decorre do descuido da população, que, ao colocar objetos cortantes e perfurantes nos sacos com detritos, não os embala corretamente, deixando os trabalhadores vulneráveis a acidentes. Minha mãe estava certa, precisamos deixar a preguiça de lado e fazer a nossa parte para evitar acidentes.
Não era excesso de bondade da parte dela, o que minha mãe queria me ensinar era uma lição de respeito. Respeito por quem trabalha por mim, levando o lixo que produzido para os aterros da prefeitura. É isso que muitas pessoas precisam aprender.
Sempre que for colocar o lixo na rua preste atenção se os objetos cortantes estão embrulhados de forma que não fure o saco; espetos, seringas, agulhas e lâminas precisam ser colocados dentro de uma garrafa peti; não deixe o lixo nas grades da sua residência, coloque-o para o lado de fora e não esqueça de prender seu cachorro. São dicas simples que podem fazer toda a diferença.

segunda-feira, 10 de março de 2008

London, London

Tenho uma vontade enorme de ir pra Londres, passar uns meses, fazer algum curso e se me adaptar mudaria de vez. Não consigo explicar o motivo, mas há muito tempo conhecer/morar na capital inglesa está na minha lista de prioridades, ou diria de sonhos?
Esse mês a Revista Gloss e a Criativa trouxeram matérias sobre essa cidade. Uma fala sobre quanto custa passar duas semanas lá (R$ 2.400 mais ou menos sem contar as passagens aéreas e dormindo em albergue) e a outra fala de aspectos gerais da vida em Londres.
Como prioridade nesse ano, estou me empenhando para juntar dinheiro para realizar os tópicos dessa lista de desejos que é pequena, mas com artigos um tanto quanto caros...rs Me cadastrei em um site muito interessante destinado a finanças femininas, Mulher Invest, com dicas de carreira, trabalho e lógico, de poupar dinheiro. Hoje recebi um news letter de como conseguir emprego em Londres, com alguns links para pesquisa de vagas.
Pesquisei vagas para jornalista e descobri que em média um jornalista na Inglaterra ganha em torno de £ 30.000 (trinta mil libras esterlinas) per annum + benefits. Isso dá em torno de R$ 17.813,67, algo como R$ 1.484,41 por mês no Brasil. Nada mal. Está dentro da média do sindicato de São Paulo.
Também descobri que lá a famosa Rua 25 de março tem o nome de Oxford Street (rua de comércio popular), enquanto que a sofisticação da nossa Rua Oscar Freire se situa na Regent Street. Já sei que quando estiver por lá vou passar mais tempo na Oxford, apesar de detestar a 25.
Ah! As dicas de viagens de trem são pra lá de interessantes, conhecer outras cidades e até países com algo em torno de £ 7 é bem tentador, pensando em tudo que li acho que dá pra tentar sobreviver nesse sonho. That God helps me!
Imagem 1: Oxford Street, comércio popular em Londres.
Imagem 2: Regent Street e o ponto 'chique' da cidade.

terça-feira, 4 de março de 2008

Presidentaaaaaaa


Será que a solução para o Brasil é colocar uma mulher como presidenta? Não quero falar sobre isso só pela comemoração do Dia Internacional da Mulher, nem pela briga acirrada que Hillary Clinton tem travado com seu opositor, Barack Obama, que prova a resistência e garra que a mulher de hoje tem para almejar cargos de muita responsabilidade. Mas principalmente por saber que nós mulheres temos sim, capacidade para governar uma nação, ainda que seja a mais ‘forte’ do planeta.
Esses dias a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, recusou mais de 300 documentos que estavam destinados a ela como presidente, com E e não com A. A forma com ela insiste em ser chamada pela pronúncia correta do feminino de presidente chamou a atenção da mídia. No cenário político atual Cristina é a segunda mulher a frente de um país na América do Sul. A outra é Michelle Bachelet que preside o Chile.
O Equador já foi presidido por uma mulher, Rosália Artega, que era vice-presidente e teve que assumir o país em 1997 quando o então presidente, Addalá Bucaram, foi impedido de governar pelo Congresso. Como vice, Rosália assumiu o comando do país, mas seu rival, Fabián Alarcón, líder parlamentar, recebeu total apoio do Congresso e como a Constituição do Equador não dizia quem deveria assumir, Alarcón ganhou essa disputa.
Outra mulher que teve alguns meses de glória a frente de um país sul-americano foi Lídia Gueiler Tejada que foi presidente da Bolívia de 16 de novembro de 1979 a 17 de julho de 1980.
Até a República Guiana já foi governada por uma dama, Rosalie Janet Jagan, esposa de Cheddi Jagan que foi Primeiro-Ministro e Presidente da Guiana. Rosalie ficou no poder de 1997 a 1999, passou a ser a 2º mulher da história do continente a assumir um país depois de Isabel Perón, porém a foi a primeira eleita democraticamente.
Mas voltando para o Brasil, quem seria uma boa candidata para o cargo? Especula que o presidente Lula esteja engatilhando a Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, como sua substituta. Ela nunca disputou o cargo, e ainda é nova de filiação no partido do presidente, o Partido dos Trabalhadores (PT), sabe-se pouco sobre ela. Entre suas características (destacadas na edição da Revista Veja, edição 2050 de 05/03/2008) está ter raciocínio rápido e domínio em assuntos do governo, por outro lado a revista destaca que a Ministra tem gênio difícil e pavio curto.
Não quero parecer feminista, tão pouco apoiar qualquer pré-candidatura, mas acredito sim que uma mulher no comando do país poderia fazer uma grande revolução na nossa história política e também cultural.
Afinal as mulheres se acostumaram a ter mais de uma tarefa diária. Cuidam dos filhos, trabalham fora, cuidam de sua vida social, da família, dos serviços domésticos, fazem compras no mercado, vão ao shopping, salão de beleza e algumas ainda conseguem tempo para praticar esportes ou atividades extras.
Com certeza o papel da mulher na sociedade mudou. Os valores mudaram e hoje elas conseguem comandar grandes e pequenas empresas, por que não o Brasil? Hoje cerca de 11,3 % dos políticos no país são mulheres (dados da eleição de 2006), agora nos basta saber qual dessas representantes femininas almejarão ao cargo. Espero que seja uma que tenha a audácia da Hillary para brigar por este posto, a determinação de Cristina para defendê-lo e a seriedade de Michelle para levar nosso país a superar seus desafios.