quinta-feira, 29 de maio de 2008

Xô CSS


O ano de 2008 foi recebido com alegria pelos brasileiros por causa da extinção da taxa de CPMF. Mas agora esbarra na Constituição Federal o plano dos líderes governistas de recriar esse imposto por meio de uma lei complementar de autoria de deputados. O texto constitucional é claro como água de bica: só o governo pode propor a criação de contribuições sociais.
Pelo projeto dos deputados, a nova versão do imposto chamada de Contribuição Social para a Saúde (CSS) seria um repasse definitivo, não provisório como era a CPMF. Esse projeto foi enviado para o Congresso para ser votado ontem, mas devido a uma manifestação bem humorada vinda da oposição o governo temeu e adiou para a terça-feira que vem.
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), estimou que a arrecadação com alíquota de 0,1% da nova contribuição poderá somar aos cofres públicos cerca de R$ 15 bilhões por ano. E segundo ele, os trabalhadores que recebem até três salários mínimos estarão isentos da nova contribuição.
Na manifestação foram distribuídos cofrinhos com a sigla CSS e algumas faixas de protesto foram erguidas com frases do tipo “PT – Partido dos Tributos” e “Xô CSS, Xô CPFM”. Confesso que foi a primeira reação vinda do PSDB que teve cara de oposição.
Tenho certeza de que se esse projeto partisse do PSDB ou DEM os petistas teriam feito uma algazarra para vetar a votação ou anular a pauta. Mas isso é outra história.
Acontece que sabemos que as condições de saúde no Brasil sempre foram precárias, mesmo com a CPMF que tinha arrecadação de mais de 0,38% o dinheiro não era realmente usado para isso. E se era ninguém percebia.
O deputado ACM Neto (DEM-BA), disse aos jornais que não aceita essa proposta porque “o governo não precisa disso, existem outros recursos para a saúde”. E eu concordo. Não é justo cobrar por um benefício pelo qual já pagamos.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Um travesti oportunista


Essa semana o diretor do JP recebeu uma ligação de outro jornal querendo saber se era verdade que em uma das cidades em que nosso jornal circula morava uma das travestis envolvidas no escândalo do Ronaldo.
Aquilo despertou a nossa curiosidade. O que uma moradora do extremo leste da grande São Paulo faria em Copacabana justamente na noite que o Fenômeno ‘procuraria’ esse serviço? E mais: como um jornal de tão longe encontraria o endereço e o telefone de uma travesti que nem ao menos foi citada nos noticiários.
No O Globo estavam divulgados os três nomes das envolvidas no caso que era Andréia Albertine, Carol Camille e Veiga Dezaroli, mas a que os jornais estavam procurando se chamava Staycy.
Como o trabalho jornalístico está baseado em apuração eu revirei a internet para confirmar os nomes delas e realmente não tinham nenhuma Estaycy. Mesmo assim o telefone não parava de tocar, eram vários veículos de comunicação querendo saber se era verdade.
Conseguimos o telefone da tal Estaycy, e ela no primeiro momento disse que não poderia falar sobre o caso. Depois de alguma insistência ela aceitou falar, mas queria que conseguíssemos montar uma coletiva de imprensa. Era isso que estava passando para todos os jornalistas que ligavam na redação atrás dessa notícia.
Até que comecei a perceber que a voz das jornalistas eram muito parecidas, sempre se apresentavam com nome e sobrenome e dizia sou da Revista Caras, Folha de São Paulo e etc. O telefone ficava algumas horas sem receber ligações e quando ligava um, em seguida ligava outro. Comecei a anotar os telefones para dar um retorno de se haveria ou não coletiva de imprensa.
Cada jornalista que ligava dava uma informação nova e era justamente a informação que ficou pendente na ligação anterior. Comecei a desconfiar pelo nome, aliás Veida não é Staycy. Consegui o Orkut da travesti, não era nem um pouco parecida com as três que saíram no jornal. Falei isso para a próxima jornalista que ligou e ela disse que as fotos do Orkut são fotos antigas, que agora ela estava do jeito que saiu no jornal.
A próxima que ligou ficou sabendo da diferença das fotos e que os nomes ainda não batiam, então a última que ligou veio com a informação de que a Veiga e a Staycy são a mesma pessoa, essa diferença seria por causa do ‘trabalho’ exige uma certa troca de nome. Desconfiada liguei os fatos.
A travesti de nome Staycy estava querendo se promover em cima do caso do Ronaldo. Era ela mesma quem ligava se passando por jornalista. Ela queria que a nossa redação, no caso eu, montasse uma coletiva de imprensa e fossemos lá na casa dela para ouvir o que ela tinha pra dizer. Seja lá o que for não teria nada em relação ao jogador que se meteu em uma grande roubada.
E se eu não fosse curiosa, nem tivesse aprendido a apurar os fatos eu teria me metido em uma roubada também. Divulgando informação falsa, e ainda envolvendo outros profissionais que seriam contatados para fazerem o mesmo. Sorte que eu sou esperta o suficiente para perceber a tempo que não passava de uma travesti oportunista.
Eu poderia até colocar o perfil do Orkut dela e expô-la ao ridículo como ela queria fazer comigo, mas sou profissional e exatamente por isso coloquei só o primeiro nome ‘de guerra’ que essa ‘querida’ usa.

Só para esclarecer eu não estou chamando todos os travestis de oportunista,
somente essa que me fez perder um tempão e ainda atrasou meu trabalho.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Participe


Como falei da abolição na última postagem, quero comunicar um concurso cultural muito inteligente que busca falar desse assunto.
Acesse: www.120cartas.ig.com para mais informações.
É um concurso cultural que receberá cartas sobre o racismo no Brasil. Os 120 melhores textos serão publicados em um livro.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

120 anos de abolição da escravatura

No dia 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea dando liberdade aos escravos negros no Brasil. Fato muito questionado hoje em dia, pois mesmo depois de 120 anos os negros brasileiros ainda vivem de forma desigual fruto de uma herança escrava que libertou sem dar condições de sobrevivência.
Alguns movimentos negros não comemoram a data de 13 de maio. A Ong Educafro, por exemplo, organizou um ato pacífico para protestar em razão dos "120 Anos da Abolição Não-Conclusa". Querendo dizer que a abolição não teve conclusão, que não aconteceu realmente.
Dados do IBGE mostram a grande diferença entre os afrodescentendes e os brancos. Os jovens negros mais pobres ainda têm mais dificuldades para cursar faculdade do que os brancos com o mesmo perfil socioeconômico. A cada 100 brancos entre 17 e 25 anos com renda per capita familiar de até um salário mínimo que estão no ensino superior, há apenas 60 negros em situação similar nas universidades - uma diferença de 40%.
Para superar diferenças como essa, algumas ações afirmativas estão sendo adotas pelo governo federal, como o caso das cotas nas universidades, que é um assunto completamente polêmico que tem dividido opiniões no país.
De um lado estão pessoas, e principalmente alunos que se interessam pelas vagas oferecidas pelo sistema de cotas, que acham que separando um determinado número de vagas para negros e pessoas de baixa renda seria uma boa opção para desfazer essa segregação existente na educação e também no mercado de trabalho.
Por outro lado, estão pessoas que defendem que o sistema de cotas é um racismo as avessas, pois força a pessoa a se declarar negra ou branca, sendo que vivemos em uma país miscigenado. Para esses ativistas ‘anti-cotas’ a solução seria aplicar esse sistema somente baseado na questão econômica e não na racial.
Acontece que a educação é realmente a chave para abrir as portas do mercado de trabalho, de boas condições de saúde e de moradia pra os negros. Sendo assim, a educação base precisa ser reformulada para que tenha qualidade de formar alunos prontos para o ensino superior que tem sido vantagem na conquista de bons salários e com eles conseguir diminuir, ainda que a longo prazo, os dados dessas estatísticas.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Será que ela lê o JP??


De sexta-feira eu tenho poucas coisas para fazer aqui no jornal. Primeiro porque fechamos a edição na quinta-feira, sendo assim qualquer notícia que chegar na sexta será velha o bastante para ser publicada na outra sexta.
Então fico navegando pela internet, lendo alguns blogs que me chamaram atenção. Entre eles está o blog da equipe da Revista Marie Claire.
Lendo as mensagens eu me deparei com uma que me fez pensar: será que essa jornalista lê o JP?? Explico: Aqui não temos nenhum guru que faça a sessão do horóscopo. Então eu mesma busco alguma previsão confiável para o dia da publicação e anexo nos arquivos para diagramar.
Porém, para o diagramador essa parte do jornal é a mais difícil de fazer. Sem justificar a crença ou a falta dela nesse negócio de astrologia ele, o diagramador, quando está com muito trabalho, pega uma edição antiga já pronta de horóscopo e copia na página nova sem nenhum arrependimento.
E era exatamente isso que a jornalista questionava: Horóscopo reciclado. Justamente a parte da previsão que chamou-lhe a atenção de tal maneira que ela copiou a frase em seu livro sobre o cotidiano das mulheres. Dois anos depois, no mesmo jornal a previsão era a mesma.
“Há poucos dias consultei o horóscopo do mesmo jornal (eu não emendo...) e lá estava, no meu signo, a mesma advertência de dois anos atrás. Com as mesmíssimas palavras. A não ser que, por uma coincidência planetária que deve ocorrer a cada cinco mil anos, Urano e Júpiter tenham se alinhado de forma exatamente igual à de dois anos atrás, tudo leva a crer que o jornal em questão recicla seus horóscopos.” (Leila Ferreira)
Me lembro que no primeiro dia de aula na faculdade o professor já alertava para o fato de nós, os jornalistas, poderíamos passar por alguma situação onde teríamos que escrever o horóscopo da publicação caso o Guru passasse mal ou qualquer coisa do tipo.
Eu não levo muito a sério, mas conheço pessoas que crêem nessas previsões. E confesso que geralmente me pego fazendo os testes que dizem se meu signo combina com o signo do paquera e coisas desse tipo. E apesar de não acreditar, eu fico muito feliz quando o resultado bate com aquilo que espero.
Agora resta saber se a jornalista da Marie Claire lê o JP e tentar convencer o diagramador a não reciclar mais a sessão do horóscopo, se é que há algum problema nisso.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

A liberdade de expressão não foi vetada

Domingo uma organização chamada de Marcha da Maconha colocou em cheque a questão sobre a liberdade de expressão garantida pela Constituição Brasileira. A intenção da passeata, segundo os organizadores, era discutir as leis brasileiras
de criminalização da maconha.
O assunto da legalização realmente precisa ser tratado como tal urgência, mas uma marcha não ajudaria na decisão da justiça em adiar esse tema. Sem contar que o nome ‘Marcha da Maconha’ soa como um convite para quem quer usar a droga.
Tanto que o evento aconteceu somente em quatro capitais: Porto Alegre, Florianópolis, Recife e Vitória. Em São Paulo, a manifestação foi proibida pela Justiça, assim como em outras oito capitais. O Ministério Público Estadual, que moveu os pedidos, argumentou que ele faria apologia às drogas.
O evento acabou gerando uma grande discussão em todo o país sobre liberdade de expressão. Será que as pessoas têm o direito de sair nas ruas para reivindicar seus direitos até mesmo o de consumir drogas?
O Código Penal brasileiro nos artigos 286 e 287 condena o ato de incitar publicamente, a prática de crime e também o fazer apologia de fato criminoso ou de autor de crime tendo pena prevista de detenção de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa (nos dois casos). Sendo assim, as capitais que proibiram não feriram a democracia, mas zelaram pela sociedade.
Os organizadores passaram a divulgar no site oficial da marcha todas as notícias além e artigos sobre a proibição e algumas ocorrências que as manifestações tiveram nas cidades onde foram proibidas.
Acontece que por ter marcha para Jesus, Parada Gay e passeata da Consciência Negra as pessoas acham que podem sair nas ruas para pregar qualquer tipo de ideologia e quando são barradas acusam a justiça de preconceito e falta de respeito com o cidadão que tem o direito de ir e vir, mas vamos entender que o meu direito acaba quando o direito de outra pessoa começa.
Isso não é limitar, é tentar manter a ordem. Uma pessoa pode sim ter o direito de ser a favor da legalização da maconha ou da união homossexual, mas da mesma forma, outras pessoas podem ter o direito de discordar de tudo isso.