Uma repórter atrapalhada

Já tem seis meses que trabalho aqui no JP como redatora e editora assistente, enfurnada em quatro paredes eu não saio da redação por nada, nada de cobertura de eventos, nada de entrevistas (uma ou outra por telefone).
Como tenho alma de repórter eu já estava me cobrando para fazer uma reportagem se quer, pelo menos uma entrevista...mesmo que seja com artista gospel (fiquei um ano de freela em uma revista de música desse segmento), mas na semana passada um senhor muito simpático veio convidar a equipe do jornal para cobrir o lançamento de seu primeiro livro de poesias, me animei com a idéia de cobrir esse evento e logo em seguida uma empresa de assessoria de imprensa me convida para a reinauguração da Capela São Miguel Arcanjo que passou por obra de restauração e agora será modificada para se transformar em um museu.
Então tinha duas atividades para alegrar meu final de semana. E lá vou eu... Chegando no sábado no local e horário marcado para o lançamento do livro “O Pensador” me deparo com um grupo de adolescentes japoneses treinando alguma luta. Pergunto para a professora deles: Não é aqui que acontecerá o lançamento do livro do sr João? - É sim, já estamos saindo, respondeu.
Uma hora depois, peço pra minha irmã ligar no telefone que estava no convite improvisado que o autor me entregou que por sinal esqueci em casa. Minha irmã confirma o que já suspeitava: trocaram o horário das 15hs paras às 19hs. Voltei pra casa e esperei dar o horário certo.
Eu era a única jornalista da festa. O autor que merece uma postagem a parte estava super feliz com a minha presença naquele dia tão importante. Perguntas respondidas, livro comprado e autografado, saí feliz por voltar a fazer reportagem.
No domingo logo pela manhã lá estava eu na Capela, uma equipe de seguranças na entrada perguntava o nome dos convidados. “Sou repórter do Jornal Agora”, disse um rapaz barbudo, “e esse é o fotografo”. “Sou Leiliane do Jornal do Povo”, disse em seguida. Recebi um crachá de imprensa, preenchi e entrei.
Logo de cara percebo a ilustre presença do prefeito da cidade, Gilberto Kassab, um homem alto de aparência séria e que evita olhar diretamente para os clicks que o cercavam. Fiquei com medo, nunca tinha feito cobertura de evento com personalidades políticas (além da entrevista com um vereador de Itaquá).
Fui pegando a máquina, o gravador, o bloco de notas e comecei a olhar de longe cada passo do repórter do Agora, reparei que além de mim só havia mais uma repórter que trabalhava na subprefeitura, o restante eram todos homens. Cercamos o prefeito e um monte de pergunta sobre as eleições foram feitas, as minhas perguntas eram sobre o evento, mas não me arrisquei a mudar de assunto enquanto todos estavam interessados em saber se o Kassab estava preocupado com a candidatura de Geraldo Alckmin.
Enfim o evento começou, patrocinadores, religiosos e autoridades políticas falaram sobre a importância da Capela na construção da cidade de São Paulo... E eu sentada como se fosse uma convidada até que reparo que todos os repórteres estavam em pé próximos às caixas de som para captar todos os pronunciamentos.
Corro pra lá, tento equilibrar o gravador na mão direita, a bolsa no mesmo braço, o bloco de notas a caneta e máquina no esquerdo... Cheia de dificuldades começo a rir de mim mesma, além de ser a única que não tinha um fotografo próprio eu me atrapalhava toda pra segurar tudo e fazer uma boa cobertura para depois transformar em uma bela reportagem.
Ainda não transcrevi a fita, mas estou aqui preparando as idéias na cabeça pra desenvolver um belo texto, que com certeza não sairá tão atrapalhado como me saí nesse final de semana. Era a falta de prática.

10 comentários:

jose.maffei disse...

Leiliane, ótima crônica, você tem um texto de qualidade. Se um dia eu lançar um livro, quem sabe te chamo para cobrir o evento. Abraços, e apareça por lá no www.zedamooca.zip.net!

Lucas disse...

Ia ser tão bom se os jornalistas pudessem entrevistar e redigir sobre quem e o que bem entenderem.

Otimo blog!

sex-cappuccino.blogspot.com

Jamila Carvalho disse...

cacilda
eu preocupei agora...
vou ser jornalista também!!

kaio disse...

òtimo texto *.*


www.pipocaverde.blogspot.com

Thais disse...

tomara que seja uma bela repotagem
porque você se esforçou bastante.
Um abraço e ocmente no meu blog,ficarei feliz.
beijoOoOoOo

Fernando Gomes disse...

Gostei do texto também.
Adoro histórias sobre jornalismo.
;D

Mas me diga.. está no mercado há quanto tempo? Tem sido 'bem tratada' por ele?

hehehe

http://www.andisaidgoddamn.blogspot.com

Lidianne Andrade disse...

eita, tu é uma jornalista mesmo
sabia que, quando cubro evento, nao levo gravador? apenas o bloco de notas
sou estranha, ne? por isso gosto tanto do nome do teu blog hehehe
beijos

Eduardo França disse...

Essa rotina da redação é chata, porque nós sentimos o nosso potencial aprisionado, lembro que quando me formei me sentia prontinho pra entrevistar o Chirrac e de sobra o Mick Jaguer, infelizmente depois de um ano de redação só deu pra pegar as declarações de uma dona de floricultura que reclamava do estacionamento. Dura e crua vida real

Lidianne Andrade disse...

e ai, como está a matéria???

K∂riиє* disse...

Legal seu comentario no meu blog.
Realmente vejo que algumas pessoas simplesmente nao conseguem mesmo se afastar de quem amam...espero que essa opcao ,mais tarde,nao seja problema pra vc e vc saiba escolher e administrar o que sera bom pra sua carreira tambem!

beijaooo

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