Greve da Policia Civil atinge população

Em greve desde 16 de setembro, os policiais civis paulistas pedem reajuste de 15% imediatamente, mais 12% em 2009 e em 2010. O governo oferece dois reajustes de 6,5% (em 2009 e 2010).
Enquanto a categoria não entra em acordo com o governo a população que necessita dos serviços desses profissionais não estão recebendo atendimento nas delegacias. Tanto que o Judiciário percebeu uma queda de 70% do número de inquéritos recebidos, pois só estão sendo encaminhados os processos com o réu preso.
No sábado, dia 24, três garotas que caminhavam pela Av. São Miguel, na Zona Leste da capital, foram assaltadas por quatro homens armados em duas motos e ao chamarem a polícia foram avisadas que não poderia ser feito o Boletim de Ocorrência devido a greve. Não satisfeitas com a resposta se dirigiram até o distrito mais próximo, o 24º DP da Ponte Rasa e a delegada avisou que estava em greve e não faria o BO por roubo.
Cientes de que precisavam registrar o roubo de todos os pertences incluindo documentos e cartões bancários, as vítimas foram até outra delegacia, o 21º localizada na Vila Matilde onde a delegada de plantão também não fez o registro da ocorrência. Indagada sobre o que as vitimas poderiam fazer em relação aos documentos roubados a delegada informou que nada poderia ser feito.
"Nunca pensei que a policia trataria com tanto descaso um caso de roubo", disse Camila Cerqueira, supervisora de callcenter. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) disponibiliza um sistema de ‘delegacia eletrônica’ através do site www.ssp.gov.br onde pode ser registrados furtos e perdas de documentos, assim como desaparecimento de pessoas. Mas quando o caso representar perigo a vida como assaltos, roubos, homicídios e etc, só será registrado nas delegacias.
Desde o inicio da greve até o dia 12 de outubro, segundo dados da SSP mais de 64.628 boletins eletrônicos foram registrados no site que serão analisados pela policia civil.
As vítimas do assaltado, Camila Cerqueira, Lílian Almeida e Leiliane Lopes, só conseguiram registrar BO no dia 29, quatro dias depois, por entrarem em contato com a SSP que as encaminhou ao delegado Dr. Rogério do 103º DP na Cohab II em Itaquera. Por terem sido conduzidas pela própria secretária de segurança as vítimas foram bem atendidas pelo delegado e conseguiram denunciar o roubo.
O ocorrido acaba contradizendo uma afirmação feita pelo secretário Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, que no mês passado afirmou em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo que a população da cidade não estava sendo afetada pela greve da Polícia Civil.
Durante o período da manifestação os policiais civis somente atenderão aos casos considerados mais graves, conforme recomenda a cartilha de greve adotada pelos policiais de São Paulo.

Um comentário:

*.*Allegr!a*.* disse...

Assim caminha a sociedade.
De mãos atadas, numa rotina sem lei.
O desreipeito, o descuido e egoísmo em forma máxima e manifesta.
Que sejamos mais capitalistas, e que a vida dos outros esteja diretamente relacionada ás contas bancárias.
Crise econômica, crise na segurança pública, crise nervosa e crise de riso. Vivemos num circo armado, e é bom estarmos com as mãos ao alto!

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