Direito de morrer

Uma menina inglesa de 13 anos conquistou o direito de morrer no condado inglês de Herefordshire. O caso estava em julgamento na Suprema Corte da Grã-Bretanha, porque o hospital onde ela estava internada tentava obrigá-la a se submeter a uma operação cardíaca.
Fazendo a operação Hannah Jones tinha poucas chances de sobreviver e se sobrevivesse teria que se submeter a cuidados médicos intensivos. Por esses motivos Hannah decidiu não fazer a operação.
Vítima de leucemia desde a infância o tratamento enfraqueceu seu coração e uma cirurgia seria necessária para corrigir esse problema, mas conforme ela mesma alegou “prefiro morrer com dignidade”.
Julgamentos sobre eutanásia e ‘direito a morte’ levanta muitos questionamentos sobre quem decide a vida de quem. Será que a corte inglesa poderia obrigar a garota a fazer o tratamento mesmo sabendo que isso poderia abreviar a morte de uma menina que tem apenas 13 anos?
E o que deve passar pela cabeça de quem tem uma doença grave e precisa decidir entre fazer um tratamento incerto ou seguir a vida até a morte chegar?
Eu já vivenciei dois casos de câncer com pessoas muitos próximas, dois tios meus tiveram essa doença, um no sangue outro no intestino. O primeiro seguiu o tratamento rigorosamente e hoje está curado. O segundo, porém descobriu tarde de mais, os médicos nem chegaram a tratá-lo, pois a morte já estava decretada, além do intestino o câncer já havia atingido o fígado. Meu tio lutou pela vida durante três meses. Fez tudo o que poderia fazer e lutou até o último segundo pra continuar vivo, mas faleceu.
Diante do que presenciei comecei a julgar os suicidas como pessoas egoístas e mal agradecidas, enquanto muitos se matam por motivos aparentemente banais, outras tantas pessoas lutam contra a morte. Meu tio teve muita garra, se recusava a morrer e deixar sua esposa e filhos, ele queria mais um tempo.
Talvez Hannah queira mais um tempo. Mas tempo pra brincar, pra sonhar em estar curada, ou até mesmo para ser curada. Talvez o direito a morte seja na verdade um direito a vida. Viver até chegar o dia certo de morrer.

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