Acessibilidade do portão pra dentro

Estou há um mês e dez dias tendo que me adaptar a vida com minhas mobilidades reduzidas, como escrevi aqui recentemente cai na rua quebrei o tornozelo, com isso precisei fazer uma cirurgia ortopédica que me deixou de molho por mais tempo.
É nessas horas que a gente entende o motivo da reclamação dos portadores de necessidades especiais. Não quero fazer um discurso xingando as autoridades pela falta de transporte coletivo adequado, nem de calçadas e vias que possibilitem a passagem de qualquer pessoa, tendo ou não qualquer deficiência.
Venho falar de outra coisa: das casas que construímos sem pensar no dia de amanhã. De apartamentos e sobrados que não são adaptáveis a situações de redução de movimentos.
Fiquei esse tempo todo presa no andar de cima, porque minha casa tem vários desníveis. A começar pelo portão, partindo para os degraus que ligam a garagem com a sala, a escada que liga a sala aos quartos, o desnível da entrada do banheiro... enfim... presa no meu quarto eu me via livre de superar ou me quebrar de vez nesses degraus.
Lembrei de uma vizinha que morava em um sobrado quase em frente ao meu, sua mãe teve um problema nas pernas e passou a andar com ajuda de um andador. Para não deixá-la presa em um cômodo, como eu fiquei, sua filha teve que se mudar para uma casa térrea.
Também escrevi sobre estarmos preparados para todas as coisas. Você está preparado para ficar doente e ter que enfrentar problemas como esse? Ficar sem movimentar algum membro do corpo nem que seja por alguns meses? E a sua casa, ela está preparada para receber uma pessoa com deficiência? E se essa pessoa for o dono da casa??
Questões que não pensamos até mudarmos de lado. Já consigo arriscar uns passos sem as muletas, mas vou confessar que não paro de pensar nessas adaptações. Será que os engenheiros e arquitetos pensam nisso quando planejam suas obras (se não for prédios comerciais, por causa das leis)?
Hoje acredito que a acessibilidade não pode estar só do portão pra fora.

Um comentário:

Milca Alves =) disse...

Fato, pensamos nisso apenas como função das altoridades,mas não usamos isso em nosso dia a dia. Acredito que não é a também a maior preocupação dos engenheiros.

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